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Desmitificando o uso do Canabidiol (Cbd) Proveniente da Cannabis sativa na Terapia Clínica e na Produção de Cosméticos

Desmitificando o uso do Canabidiol (Cbd) Proveniente da Cannabis sativa na Terapia Clínica e na Produção de Cosméticos

Artigo de opinião - Prof. Dr. Carlos Jorge Rocha Oliveira

Extraído do livro Ativos Dermatológicos, volume 10.

BREVE POSICIONAMENTO SOBRE O TEMA

Como já é do conhecimento, o cultivo, o comércio e o consumo da Can¬nabis sativa em nosso País são proibidos por lei. Aqui não vamos polarizar essa questão, não entraremos em conceitos religiosos, legais e sociais. Farei uma abordagem simples e científica do que é, para que serve e como estão sendo encaminhadas as pesquisas para a utilização dos componentes da Cannabis sativa no uso terapêutico e na produção de cosméticos.

Por ser proibida em nosso País e em grande parte dos países mundiais, a pesquisa envolvendo a Cannabis sativa acaba ficando restrita, mas isso não nos impede de discutir o tema com critério técnico, científico e responsabilidade. Já temos avançado muito nesse aspecto, tanto que, no Brasil, o canabidiol (CBD) já pode ser prescrito por médicos psiquiatras, neurologistas e neurocirurgiões em receita especial de duas vias. Em 2015, a ANVISA remanejou a substância para a Lista C1 do Controle Especial, fazendo com que esta deixasse de fazer parte da lista de substâncias proibidas (proscritas).

DEFINIÇÃO

A Química é o grande desafio da área farmacêutica na indústria, que busca a obtenção de novas estruturas e/ou moléculas que servirão de base a novos agentes terapêuticos e estéticos.

A disponibilidade terapêutica do homem, durante muito tempo, teve como base funcional as plantas. A utilização da Cannabis sativa e dos seus derivados é conhecida há muitos anos. No entanto, o estudo de suas propriedades, dos seus análogos e dos receptores canabinoides (CB1 e CB2), além das enzimas envolvidas no seu metabolismo, é muito recente.

A Cannabis sativa foi uma das primeiras plantas cultivadas pelo Homem. A planta do cânhamo, Cannabis sativa, com origem em regiões temperadas e tro¬picais, foi utilizada como fonte de fibras para o fabrico de tecidos e cordoaria a partir do seu caule, dada a grande resistência deste. Faz parte da família Moraceae, vulgarmente conhecida como “cânhamo da Índia”, pertencente à ordem das urticales e da família das canabináceas. É uma planta dioica cujos pés são mas¬culinos e femininos, sendo estes últimos de maior tamanho e maior diâmetro. A planta fêmea contém maior quantidade de canabinoides que a planta macho, e esta última apresenta um tempo de vida mais curto, morrendo logo depois da libertação do pólen, enquanto a planta fêmea só morre após o amadurecimento das sementes.

O cânhamo é uma planta de Cannabis cultivada por suas sementes, fibras e caule. As sementes possuem grandes quantidades de canabidiol (CBD) e são usadas na produção de alimentos, suplementos nutricionais, medicamentos e cosméticos. O caule e suas fibras são usados na produção de papel, tecidos, cordas, compostos plásticos e materiais de construção.

A Cannabis sativa (maconha) é utilizada pelas suas características psicoativas. O caule e as fibras não são utilizados, mas suas flores apresentam níveis elevados de THC (tetraidrocanabidiol).

Diferença entre o CBDe THC

O canabidiol (CBD) é uma das substâncias químicas canabinoides en¬contradas na Cannabis sativa e que constitui grande parte da planta, chegando a representar mais de 40% de seus extratos.

Diferentemente do principal canabinoide psicoativo na Cannabis sativa, o delta-9-tetraidrocanabidiol (THC), o canabidiol (CBD) não produz euforia nem intoxicação.6 Canabinoides têm seu efeito principalmente ao interagir com receptores específicos nas células do cérebro e do corpo: o receptor CB1, encontrado principalmente nos neurônios e nas células gliais em várias partes do cérebro e o receptor CB2, encontrado principalmente no sistema imune. Os efeitos eufóricos do THC são causados pela ativação dos receptores CB1. O CBD tem uma afinidade muito baixa por esses receptores (100 vezes menos que o THC) e, quando se liga a eles, produz pouco ou nenhum efeito. Há uma evidência crescente de que o CDB age em outros sistemas de sinalização celular e cerebral, e isso pode ser importante para seus efeitos terapêuticos.

No Brasil, o CBD já pode ser prescrito por médicos psiquiatras, neuro¬logistas e neurocirurgiões em receita especial de duas vias. Em 2015, a Anvisa remanejou a substância para a Lista C1 do Controle Especial, fazendo com que esta deixasse de fazer parte da lista de substâncias proibidas (proscritas). Por definição, não iremos abordar neste artigo um detalhamento maior sobre o THC, nosso propósito aqui é o CBD.

Por definição, não iremos abordar neste artigo um detalhamento maior sobre o THC, nosso propósito aqui é o CBD.

RESUMO

1. Três tipos de plantas Cannabis: sativa; indica e ruderalis. As mais utilizadas são a sativa e indica, tanto para fumo como em outras aplicações — medicina, estética, indústria e culinária. A fibra e o óleo do cânhamo são os produtos mais utilizados da indica, obtidos por meio do talo dessa planta.

2. Os principais componentes da Cannabis sativa e indica são: tetraidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD), canabinol (CBN) e tetra-hidrocanabivarin (THCV), sendo o THC e o CDB os que impulsionam a pesquisa na terapia clínica, cosmética e alimentícia.

3. THC tem ampla ação psicoativa e CBD tem ação sobre sistemas de sinalização celular.

PESQUISAS E USO TERAPÊUTICO DO CANABINOIDE (CBD)

Após a descoberta dos canabinoides endógenos, os estudos científicos foram direcionados para a investigação do seu potencial clínico. Em alguns países, os derivados da cannabis constituem uma opção farmacológica na estimu¬lação do apetite e no tratamento da dor. O primeiro medicamento baseado nos canabinoides endógenos — um antagonista do receptor CB1, o Rimonabant® — foi aprovado para o tratamento da obesidade. Contudo, este foi proibido por questões de segurança32. Atualmente, existem várias evidências que demonstram haver interesse clínico dos canabinoides e da sua aplicação terapêutica; contudo, seus efeitos secundários limitam a sua aplicação e autorização.

Inúmeros estudos durante as últimas duas décadas ou mais relataram que o canabidiol tem atividade anticonvulsionante, reduzindo a severidade de convulsões em modelos animais.

O CBD também tem demonstrado ter propriedades neuroprotetoras, tanto em culturas celulares quanto em modelos animais, de diversas doenças neurodegenerativas, incluindo mal de Alzheimer, derrame, excitotoxicidade por glutamato,13 esclerose múltipla, mal de Parkinson e neurodegeneração causada por abuso de álcool.

Além de pesquisas sobre o uso de canabinoides em tratamentos paliativos contra o câncer, a redução de dor, a náusea e o aumento de apetite, há diversos relatos pré-clínicos demostrando efeitos antitumorais do CBD em culturas celulares e em modelos animais. Esses estudos observaram viabilidade celular reduzida, morte aumentada das células cancerosas, crescimento tumoral reduzido e inibição de metástase. Esses efeitos podem ser devidos aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios do canabidiol; no entanto, esses achados ainda não foram explorados em pacientes humanos.

O CBD mostrou eficácia terapêutica em uma variedade de modelos animais com relação a ansiedade e estresse, reduzindo as medidas comportamentais e fisiológicas (por exemplo, frequência cardíaca) do estresse e da ansiedade. Os efeitos de redução de ansiedade do canabidiol parecem ser mediados por altera¬ções na sinalização do receptor 1A de serotonina, embora o mecanismo preciso ainda necessite ser elucidado e mais pesquisas sejam necessárias.

Achados pré-clínicos iniciais também sugerem que o CDB pode ter valor terapêutico como tratamento de transtornos causados por uso de substâncias. O canabidiol reduziu os efeitos gratificantes da morfina20 e diminuiu a procura por heroína em modelos animais.

Uma revisão de 25 estudos sobre a segurança e a eficácia da CBD não identificou efeitos colaterais significativos em uma ampla gama de doses, incluindo regimes de dose aguda e crônica, utilizando-se vários modos de administração.

O canabidiol tem uma afinidade muito baixa pelos receptores canabinoides CB1 e CB2, mas atua como um antagonista indireto desses receptores. Pode potencializar os efeitos do THC ao aumentar a densidade do receptor CB1 ou por meio de outro mecanismo relacionado ao receptor CB1.

RESUMO

1. Pesquisas e uso terapêutico do CDB em: obesidade; estimulador de apetite; doenças neurodegenerativas; Alzheimer; esclerose múltipla; mal de Parkinson; apresentando propriedades antioxidantes, anti-infla¬matórias, antitumorais, contra a ansiedade, o estresse e os transtornos causados pelo uso de substâncias.

2. Toda pesquisa baseada em modelos animais indica a dose tempo-dependente; CBD não identificou efeitos colaterais significativos em grandes doses.

3. O CBD tem baixa afinidade pelos receptores canabinoides CB1 e CB2. O CBD atua como um antago¬nista indireto desses receptores.

Confira esse artigo na íntegra e os artigos a seguir no livro Ativos Dermatológicos, volume 10.

ARTIGOS E SEUS AUTORES:

1. Desmitificando o uso do canabidiol (cbd) proveniente da cannabis sativa na terapia clínica e na produção de cosméticos, Prof. Dr. Carlos Jorge Rocha Oliveira
2. A evolução da molécula de vitamina A utilizada em formulações cosmecêuticas, Camila de Lima Oliveira, Camila dos Santos Ferro, Karina Longati, Sthefannie Victoria Santos da Cunha, Tairine Honda, Valéria Maria de Souza Antunes, Carlos Rocha Oliveira
3. Peelings, Halika Groke
4. Certificações para desenvolvimento de biocosméticos, Isabela Vasques de Souza Antunes
5. Maison végane – como as maquiagens veganas estão revolucionando o mercado cosmético, Joyce Quenca
6. Adjuvantes Cosméticos, Mônica Antunes Batistela
7. Modificadores de sensorial, Mônica Antunes Batistela
8. Acne: uma abordagem de tratamento ampla, para melhor eficácia, Paula de França Carmo da Silva
9. Rejuvenescimento, Valéria Maria de Souza Antunes
10. Reflexões sobre os danos causados na pele e na saúde relacionados à poluição ambiental e à poluição tecnológica, Valéria Maria de Souza Antunes
11. Tendências e inovações em bases dermocosméticas, Valéria Maria de Souza Antunes e Daniel Antunes Junior
12. Despigmentantes e estética íntima, Adria Sadala
13. A alta tecnologia combinada à cosmetologia no tratamento do fibro edema geloide, Adria Sadala
14. Epigenética, Prof. Dr. Carlos Jorge de Oliveira
15. Estrias, Adria Sadala
16. Hidratantes, Dailys Pires Bergesch
17. A revolução dos nanomateriais, Valéria Maria de Souza Antunes
18. Máscaras, esfoliantes e aditivos especiais, Valéria Maria de Souza Antunes
19. Microbiota da pele, Andréia Bartachini Gomes
20. Multifuncionalidade de ativos como diferencial competitivo, Valéria Maria de Souza e Daniel Antunes Junior
21. Nutracêuticos, Priscila Dejuste
22. Unhas: além da anatomia, Daniel Antunes Junior
23. Ativos de uso capilar, Ademir Carvalho Leite Júnior
24. Terapia capilar, A. Erica Bighetti Ribas

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